Jenny Hval: "Deixei de tocar instrumentos em palco. Fi-lo para poder pensar, para poder olhar à volta, e poder sentir a sala por completo."


18 de Novembro, 2022   /   127
Auditório de Espinho | Academia

Jenny Hval, cantora, compositora e produtora norueguesa, traz a Espinho, 22 de novembro, pelas 21h30, o seu novo disco, lançado em março, Classic Objects.

Não nos alongaremos mais, a própria Jenny vai-se apresentar.

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Quem é Jenny Hval?

Depende de quem pergunta. Se estou a falar com alguém que está a verificar o meu passaporte, no aeroporto, direi que sou uma artista, e que toco música não comercial. Mas, para esta entrevista, talvez eu diga que sou uma artista norueguesa que toca música, mas que está igualmente interessada numa gama mais vasta de disciplinas artísticas, levando esse interesse para a música. Ah, e tenho 42 anos. Não nos esqueçamos disso. Sou velha.

O que reivindica com a sua música?

Talvez possa contar um pouco sobre aquilo com que trabalho. Nunca penso em reivindicações, na verdade, e também nunca penso muito em conceitos. Sinto que trabalho com improvisação. É como se o meu corpo soubesse coisas que eu não sei o tempo todo. Por isso, talvez seja uma reivindicação o que a minha música faz. Que é, provavelmente, o que toda a música faz. Existe uma outra lógica. Existe uma outra forma de falar.

O que mudou desde o álbum Innocence Is Kinky?

Deixei de tocar instrumentos em palco. Primeiro a guitarra, depois tudo. Fi-lo para poder pensar, para poder olhar à volta, e poder sentir a sala por completo. Ainda utilizo instrumentos para escrever música, mas gosto muito de ser apenas eu em palco, aproximando-me um pouco mais do público.

Que objetos clássicos são esses que estão presentes no título do álbum?

É uma pessoa que conta histórias, mas que não consegue ser um contador de histórias, no sentido clássico do que é um narrador. A voz típica de uma narrativa é masculina (e, normalmente, é um homem mais velho a contar a história da sua vida em romances clássicos... Um homem-europeu-branco-cis-hétero...). Eu estava a brincar com palavras antes do álbum estar terminado, e pensei sobre a expressão Classic Objects como sendo vozes que sonham ser sujeitos por direito próprio, mas que são constantemente reduzidos a objetos.

O videoclipe da canção "Year of Love" é feito de diferentes cenários surreais (cenários pintados em 3D, por exemplo). No concerto do AdE, vamos ver estes cenários?

Sim! Na verdade, vão ver muito mais. A terceira dimensão está muito presente no nosso espetáculo ao vivo. O 3D é interessante, disseca o espaço, o que me parece encaixar no álbum Classic Objects, com o qual estamos a acasalar estes visuais. O espaço, os objetos, as dimensões... Tudo é examinado.

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Um concerto, onde ficaremos mais perto de Jenny Hval. Um concerto intimista, que nos levará para uma outra dimensão. 

Os bilhetes para este concerto estão à venda aqui ou na bilheteira local, na Academia de Música de Espinho.

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