Amaro Freitas: “Fazer arte no brasil não é fácil”


22 de Abril, 2022   /   417
Auditório de Espinho | Academia

No próximo dia 29, Amaro Freitas estreia-se em Espinho com o mais recente álbum, Sankofa.

Amaro Freitas, natural de Recife, consegue definir o exato momento da sua vida, em que soube que a música era o seu caminho. Foi um presente, o DVD de Chick Corea Trio, que mudou tudo: “Quando ouvi aquela música, eu disse que era aquilo que eu queria fazer”, conta-nos o pianista.

Mas, nem tudo foi fácil. Uma estrada com muitas e diferentes barreiras, porque “fazer arte no Brasil não é fácil”. Cresceu na periferia da zona norte de Pernambuco e teve uma adolescência muito pouco estruturada: “Aos 18 anos, tive de trabalhar para poder bancar os estudos”, confessa. Depois disso, enfrentou ainda a resistência da família, já que no seu meio, “o que é considerado trabalho, tem muito mais a ver com o trabalho braçal do que com arte”.

Valeu-lhe a persistência e a partilha de experiências com outros amigos músicos. Amaro Freitas foi tocando em restaurantes e, no processo de produção do seu primeiro disco, foi descobrindo, de uma forma algo solitária, o passo a passo para a construção de um artista independente na cena instrumental.

A verdade é que essas dificuldades trouxeram o pianista até aos dias de hoje, já com três álbuns editados. O mais recente, Sankofa (2021), “foi um processo que durou três anos de vivência”, explica. Foi em Nova Iorque, numa feira afro, que Amaro conheceu o símbolo Sankofa, que significa olhar para o passado, para os nossos ancestrais. No fundo, leva-nos a perceber que ao entendermos melhor a nossa origem e a nossa história, somos capazes de construir um olhar mais panorâmico sobre a nossa vida, os nossos desafios e a nossa missão.

Neste disco, percebem-se influências de Brad Mehldau, Robert Glasper e Moacir Santos e Amaro Freitas explica porquê: “Esses músicos me atravessaram de várias maneiras, os contrapontos líricos do Brad, a engenharia de seu improviso. Essa construção de música jazz com hip hop que o Miles, Hancock e o Glasper fazem com perfeição, eu adoro e sou influenciado por isso também". Já Moacir Santos “é um grande ancestral que veio do mesmo lugar que o meu, trabalhou a percussividade nos instrumentos de orquestrar, de uma maestria absurda com os toques e claves da cultura afro brasileira”.

Na sexta-feira, dia 29 de abril, é chegada a hora de voltar a Portugal. O pianista brasileiro admite que, se escolhesse sair da sua terra natal, Portugal seria o país de eleição para morar. Enquanto isso não se concretiza, aproveitamos estas ocasiões.

Para o seu concerto no Auditório de Espinho | Academia, o músico mostra-se entusiasmado e com muito vontade de se conectar com o público.

Os bilhetes para este concerto estão à venda aqui ou na bilheteira local, na Academia de Música de Espinho.

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